sexta-feira, 13 de maio de 2016

Uma xícara de café e um coração...



Em uma xícara de café, encontrei um universo. Para alguns, isto poderia parecer uma loucura, mas foi realmente isso que aconteceu. No fugaz encontro com o líquido fumegante, pude sentir na garganta o ardor de vida de tantas pessoas que trabalharam para que este momento acontecesse. Sem ao menos conhecê-las, participei de um pouquinho de suas vidas e esforços. Veio-me ao coração a memória agradecida de tantos antepassados meus, homens e mulheres imigrantes, que gastaram suas vidas e esforços no cultivo de possibilidades de vida nos morros de café de um Espírito Santo que já não existe mais. Senti Deus...
Pequenos fragmentos que se encontram na mesa da eucaristia da vida. Celebrada em sacramento em cada missa que presido, encontro a presença de tantas vidas que se entregaram como o Cristo nas cruzes cotidianas, sem saber que seu futuro ressoaria naquele momento. Não se trata de nostalgia, se nas cabeças ela for sinônimo de tristeza. Sou invadido por imensa alegria de participar desta beleza da vida; da beleza de uma plenitude que já começa a ser participada aqui.
Aos poucos vou aprendendo a mística das pequenas coisas, dos pequenos gestos, do silêncio. Percebo a graça de uma Trindade que se revela em sua grandeza em coisas tão simples e corriqueiras que tendem a passar despercebida aos olhares cansados e cegos pelo cotidiano massificante. Sinto que meu coração tem o tamanho daquela xícara de café...

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

Um comentário:

  1. E é aos poucos que nos conhecemos e vamos nos fragmentos da vida fazendo uma colcha de retalhos e sentindo os sabores das verdades escondidas em nosso ser... Parabéns pela sensibilidade, está valendo a pena ler seus escritos...Paz e bem!
    NeivaDSM

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