quinta-feira, 12 de maio de 2016

A docilidade da argila...

"Eu quero ser, Jesus amado, como o barro nas mãos do oleiro...."




Sim, somos frágeis. Na lucidez do texto bíblico, pó que retornará ao pó. Para alguns, um arranjo de moléculas que deu certo, e que voltará a se dissolver; nada mais que isto. Utilizando a metáfora do profeta, somos simples vasos. Tomados do pó da terra, trabalhados nos tornamos em argila da carne. Às vezes não tão belos exteriormente, somos vasos que, um dia ou outro, cumprirão seu caminho em meio aos baques da história.


Alguns parariam aí. Mas a beleza da humanidade encontra-se justamente no momento em que, o vaso que somos, torna-se habitação de algo maior. Sustenta este vaso o sopro da vida. Carne, sopro, sentimentos: na intercomunicação destas realidades somos. Plasmados no carinho de um Deus próximo. Que inclusive quis ser vaso, para revelar a verdadeira beleza ali contida.

A água da misericórdia é lançada tantas vezes ao longo do caminho sobre o barro ressequido e rachado que espera por ser refeito. A "poiesia"[1] da vida acontece em meio a tantos refazer, remodelar, ressignificar... Em traços finos das mãos delicadas daquele que conduz o processo.

Um dia o vaso vai ao fogo do definitivo, fica aquilo que ele foi na história do labor de sua construção no diálogo com a mão criadora. Permanece sustentado no amor daquele que o criou. A beleza fica, a sujeira se consome no fogo dos tempos. A docilidade da argila que somos, ao se deixar modelar, revela-se como obra-prima do Eterno-Oleiro. Do mais simples, surge algo que realmente merece permanecer. O crescimento humano acontece justamente no momento em que e argila se faz dócil ao trabalho do Oleiro.

Docilidade: a palavra que permanece, mesmo em meio a um mundo marcado, tantas vezes, pela rigidez dos fechamentos das argilas que não se deixam romper. Docilidade: a palavra do crescimento... Afirmo, sem medo: Felizes os dóceis de espírito, pois amadurecerão para a vida eterna....



[1] Não errei o português (rsrsrs). “Poiesia”, neologismo que utilizo a partir do verbo grego poiésis que significa, dizendo de maneira bem simples, “fazer”, "produzir", “a arte de fazer”.

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