quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Benção...

Lendo Macbeth, de W. Shakespeare, encontrei esta bela oração que partilho com vocês:

"Que a benção de Deus o acompanhe, e a todos aqueles que desejam transformar o mal em bondade,os inimigos em amigos." 

Que o amor e a concórdia sempre vençam. Longe de nós toda forma de violência...

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

Preparando outubro: Mês das missões...

A feminina docilidade da fidelidade

O mês de outubro é chamado, no interior da dinâmica eclesial, do mês missionário. Nele refletimos nossa realidade básica, como batizados que somos, de ser missionários. Aproveito, neste pequeno texto, para homenagear e lembrar tantos que gastaram e gastam sua vida na missão. Aqueles que assumiram a constante realidade de ser "estrangeiros" pelo Reino.
O missionário experimenta, pelo Reino de Deus, o constante deslocar-se, sabendo que não há pátria definitiva neste mundo. O abraço de Deus é nossa definitividade, ou seja, nosso sentido último do caminho. Assim, abraça-se uma solidariedade universal, encarnada na constante inconstância de estar neste ou naquele lugar para onde a missão, o caminho do Espírito, possa conduzir. De maneira especial, aproveito para homenagear as mulheres missionárias. Tantas leigas e religiosas que deixaram e deixam sua terra para levar a verdade de Vida que vem de Deus. Embora alicerçada em uma cultura marcadamente masculina, a história bíblica traz inúmeros exemplo de mulheres assim. Por exemplo, o trabalho missionário de Paulo encontrou em mulheres o essencial apoio para acontecer. Neste pequeno artigo, valorizaremos a pequena fala de uma simples mulher do Antigo Testamento, Rute, que expressa a fidelidade de vida que se espera encontrar em cada um que assume a missão.

Brevemente, a história de Rute:

Tudo começa com a migração da família do casal Elimelec, Noemi e seus dois filhos, Maalon e Quelion. Como tantos de nossa região, partiram para terra estrangeira em busca de condições de vida, fugindo da escassez de recursos e, conseqüente, fome. Nos campos de Moab, os rapazes tomam como esposas mulheres do lugar: Rute e Orfa. Vem que acontece falecer Elimelec, Maalon e Quelion. Naquele contexto, as mulheres da família passam à dura realidade da solitária viuvez. Não se trata apenas de saudade dos que partiram, mas de desamparo total.
Ao retornar para o antigo lar, em busca do auxílio do Go'el, o parente mais próximo que poderia retirá-las do desamparo, Noemi despede as noras, ainda jovens, para que fiquem em sua terra e possam casar-se novamente. Orfa parte, mas Rute permanece. Permanece com a sogra em uma profunda solidariedade na dor. Mesmo estrangeira, sabe que seu lugar é ao lado de Noemi, cuidando daquela que está desamparada.
Voltando à antiga terra de Noemi, a jovem Rute coloca-se na tarefa de "respigar". Tarefa dos pobres que vem atrás dos ceifadores no campo colhendo o refugo, como tantos catadores que vemos pelas ruas de nossos centros, recolhendo aquilo que já não mais se quer. Na dureza da vida, estão juntas.
Contudo, a mão do Senhor não as abandona. Booz, homem justo e parente distante de Elimelec, se compadece e se apaixona por Rute e exerce o direito do resgate após a desistência do primeiro na função de go'el. Um homem bom, que não tratará a estrangeira Rute como parte do espólio, mas que a integrará, e à sua sogra, na própria família. A estrangeira, extrapolando os parâmetros daquela cultura, se torna lugar do resgate.

A fidelidade de Rute:

"Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.  Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o SENHOR e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti." (Rt 1,16-17)

O belo texto acima citado é pronunciado por Rute ao Noemi tentar despedi-la. A solidariedade fiel, mesmo em meio ao desamparo, enobrece a figura da simples estrangeira. Ela poderia voltar, seguir seu caminho, como fizera Orfa, mas prefere ficar com sua sogra, Noemi. Escrevendo este texto, rezei profundamente, pois a firme docilidade feminina de Rute é reveladora da profundidade do que é missão. Todo missionário escolhe, mesmo podendo estar em outro lugar, mais confortável, viver a intempéries do tempo junto com o povo, para que a realidade do Amor possa acontecer. Comer de seu pão, viver sua vida, morrer sua morte. A definitividade da fidelidade basta!
Todo missionário se sabe diferente do povo que missiona. Diferente, não superior ou inferior. Escolhe a fidelidade da vida nos moldes de Deus. Revive o cotidiano da Aliança. Nesta diferença, cresce e faz crescer na comunhão, mesmo em meio ao desmazelo da realidade. Neste sentido, a experiência se amplia na direção de tantos que encontram a terra estrangeira ao lado de uma cama de hospital, de uma pessoa que sofre no desamparo e na solidão... Alguns serão chamados a, efetivamente, partir para outras terras. Outros tantos, viverão a missionareidade cotidiana de deixar o próprio mundinho na direção daqueles que precisam sentir mais próxima a Palavra de Deus.
Que a presença do Espírito nos coloque na fiel docilidade feminina da comunhão de vidas na missionareidade cotidiana da Verdade de Deus! Que a presença e o exemplo de tantos missionários da solidariedade nos leve, com as mãos cheias de boas sementes, às searas do Reino ainda não cultivadas ou maltratadas!

"Leva-me aonde os homens necessitem de suas palavras, necessitem de força de viver. Onde falte a esperança, onde tudo seja triste, simplesmente, por não saber de ti".
Trecho da canção "Alma Missionária".

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: Em primeira mão, partilho este texto que é o primeiro esboço (ou definitivo) do texto que irá ser publicado no jornal de minha paróquia em outubro próximo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Para refletir...

"O toque de Deus nos livra da prisão da amargura."


Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos pertube, e por ela muitos se contaminem.
Hb 12,15


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Espaços da vida...

Alguns irão estranhar este texto. Resolvi escrevê-lo depois de algumas experiências na pastoral.Vamos a ele:

Bom, como muitos sabem, tenho um pezinho na roça. Embora tenha nascido e crescido na cidade, a experiência dos bons momentos na infância vividos em uma colônia de italianos marcaram-me muito. Por isso, a terra e o povo da terra me ensinam bastante. Dias atrás, mexendo com a horta aqui de casa, lembrei-me de um ensinamento básico: uma planta só cresce quando se deixa o espaço necessário entre uma muda e outra. Cada planta tem seu jeito e, por isso, os espaços mudam.

Com gente acontece algo semelhante: as pessoas e, conseqüentemente, os relacionamentos nos diversos níveis precisam de espaço para crescer. É sábio quando a gente aprende isto. Saber estar próximo, mas sem afogar o outro, deixando que ele cresça e seja. Meu trato pastoral com famílias tem me enchido de exemplos: marido e mulher só conseguem um relacionamento saudável quando um dá o espaço necessário para que o outro possa ser; pai e mãe só ajudam o filho a crescer se o respeitam em sua individualidade.

Neste espaço de vida para que o outro seja, encontramos o interdito salutar: "Não matarás!". Trata-se de uma "palavra" que se interpõe para que a vida do outro aconteça liberta da violência do "eu". A fusão é mortífera, pois um terá que sumir. É engraçado perceber que, na cultura atual, o engodo de um "ego" inflado tende a querer se fusionar com tudo, absorvendo e anulando: "Minha vontade tem que prevalecer..."; "Ela tem que ser como eu quero...". A boa e salutar dose de solidão praticamente não existe: "Padre, não consigo ficar sozinho (na verdade, consigo mesmo), tenho sempre que estar falando, absorvendo, comendo...".

Neste jogo, outro tipo de solidão surge, esta não tão benéfica, que é a de um esvaziamento interno tão grande que não consegue ser saciado. Um vazio de sentido. Assim, percebe-se que aquele espaço dito anteriormente como necessário para o outro ser, também é necessário para que eu seja. Construímo-nos nos encontros e espaços que damos e recebemos. Só crescemos ao romper a mônada primitiva para nos descobrir em comunhão com um mundo repleto de vida. Um relacionamento saudável com Deus depende disto também... Deixar que Deus seja o outro. Deixar Deus ser Deus em nossas vidas, e não uma imagem do ego insaciável, construído por carências. Mas isto é material para outra conversa...


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Setembro: Mês da Bíblia III (cont.)

A fome: O desejo de voltar atrás.

 

No centro da moldura apresentada anteriormente, encontra-se o relato do Maná vindo do céu e das codornizes. Mais uma vez, falta o essencial para a vida. Nos dois relatos que anteriormente meditamos, faltava a água, agora, falta o alimento. O povo tem fome. Contudo, o central para a nossa reflexão é o desejo de voltar atrás. O imediato do sofrimento da fome é bem maior que a lembrança da escravidão. Se colocássemos em uma escala de valores, a liberdade é um bem maior. Mas o sofrimento imediato cega a tal ponto que o povo prefere se entregar a outros senhores. Coisa tão semelhante aconteceu e acontece em tantos recantos do Brasil, onde a fome é utilizada pelos grandes e poderosos para manipular os pequenos.  Deus, mais uma vez, não nega o seu auxílio ao seu povo. Ele é o verdadeiro Senhor de Israel e não deixará que nada lhe falte.

Conquistar a verdadeira liberdade supõe perdas. É preciso deixar algumas coisas que já não servem mais para lançar-se na direção do novo. Acontece que, na maioria das vezes, o caminho antigo parece ser mais seguro. Já conhecemos seus buracos, subidas, descidas, enfim, suas facilidades e dificuldades. Lançar-se no novo pode ser duro, mas só assim é que a vida pode continuar a fazer seu caminho de crescimento. Somente na solidariedade e eqüidade, como nos mostra o relato, é que poderemos vencer esta "tentação" do retorno.

 

Os perigos do caminho: Amalec.

 

Surge um outro povo na história: os amalecitas, um povo que não é guiado pelo SENHOR. Guiados pelo líder Amalec, colocam-se em guerra contra o povo no deserto. Esta é a primeira vez que o nome de Josué é citado. Mais tarde, este será o continuador de Moisés, terminando a caminhada rumo à Terra Prometida. O caminho periga parar. A escravidão, uma vez que os derrotados pela guerra que sobrevivessem eram escravizados pelo povo vencedor, poderia voltar. Mas Deus continua com seu povo. A vida, mais uma vez, é posta em risco no deserto... A batalha começa e Moisés, auxiliado por Aarão e Hur, se coloca no alto do monte mantendo as mãos voltadas para o céu, lugar onde habita Deus. Este gesto não é sem mais: voltados para Deus, o povo vence.

Não podemos ser ingênuos! Há muitos poderes humanos presentes em nossa cultura que lutam contra o Reinado de Deus. Contra-valores como a injustiça e a opressão são a marca destes sistemas. Muitas vezes, para seguir no caminho de Deus, nós e nossas comunidades acabamos tendo que tomar posturas "contra" a cultura vigente. O caminho de libertação é também de batalha contra aquilo que gera a morte e a desintegração do humano.

 

A organização inicial do povo: a sabedoria de Jetro.

 

Sabendo de tudo que está acontecendo, o que Deus tem feito pelo povo através da coordenação de Moisés, Jetro, seu sogro, vem ao seu encontro com a sua mulher (de Moisés) e filhos. A sabedoria do ancião sobressalta no relato. Até então, Moisés é responsável por todas as decisões do grupo. Jetro percebe que, o excesso de trabalho pode prejudicar a capacidade de discernimento do genro. É preciso uma nova maneira de liderar. Propõe um novo sistema: pessoas notáveis entre o povo, em diversas instâncias, irão ajudar na coordenação. Bem ao modo de Deus, o poder é partilhado. A sabedoria do velho Jetro é voz divina no caminho. Serão escolhidos juízes para, segundo suas responsabilidades, serem o auxílio necessário para o caminho.

Esta reflexão envolve um aspecto muito complexo da vida em comum: o exercício do poder. Toda forma de absolutismo e autoritarismo não vem de Deus. Deus é o único absoluto e a verdadeira autoridade. Tudo o mais nos vem dele. A pergunta essencial a ser feita neste momento é: como vivo minhas funções de coordenação? Como coordeno e me deixo coordenar? Partilho ou retenho?

 

Como conclusão.

 

Fizemos um bom caminho de reflexão. Questões podem ser levantadas a cada tópico. O mais importante é que a experiência do caminho feito por Israel nos provoque e às nossas comunidades no sentido de uma vivência mais profunda da realidade do Reinado de Deus entre nós. Vocês vão perceber que não me centrei em um estudo técnico do texto. Contudo, utilizando destes conhecimentos, busquei uma reflexão que toque a vida; que deixe a vida falar. Este esforço não para aqui. Questões que não foram abordadas neste texto poderão surgir no momento dos encontros. Deixe-as vir e trabalhe-as! Que Deus continue nos inspirando no caminho!


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

domingo, 18 de setembro de 2011

Setembro: Mês da Bíblia II (cont.)

As dificuldades do caminho.

 

Como antes dissemos, o trecho escolhido para o estudo neste mês é Ex 15,22-18,27. Logo depois de deixar o Egito e atravessar o Mar Vermelho, a longa caminhada do povo de Deus no deserto tem início. São estes primeiros momentos de sua caminhada que iremos acompanhar e meditar. As dificuldades iniciais ficarão em torno da sede, da fome, do perigo dos ataques inimigos e da organização do povo. Tentaremos uma leitura bem mais existencial, para que ressoe de maneira mais contundente em nossa reflexão.

 

A sede: O amargor de "Mara" e escassez em "Massa e Meriba".

 

Em Ex 15,22-27 e 17,1-7, dois relatos sobre a água. Formam como que uma moldura que envolve o trecho de 16,1-35, onde encontramos o relato do maná e das codornizes. Água e alimento são itens essenciais para a subsistência do povo no caminho. No deserto, lugar da provação e crescimento, a vida se encontra em risco. Para crescer é preciso se arriscar na travessia dos desertos da vida.

No primeiro relato temos o episódio acontecido em Mara. Do hebraico "mar", que quer dizer amargo / amargura, designa o primeiro lugar onde o povo no deserto encontra água. Mas a esperança deste encontro se transforma em decepção: as águas estão contaminadas. A tristeza toma o povo no caminho. Naquele contexto, de que adianta a água se ela não pode matar a sede. O povo, ainda sem firmeza nos passos, murmura contra Deus. O SENHOR, aquele que prometera retirar Israel do Egito e conduzi-lo com mão forte pelo deserto rumo à Terra Prometida, não se esquiva. Vem ao encontro do povo caminheiro e transforma as águas amargas em puras, capazes de restaurar as forças. Contudo, sua ação leva a uma nova responsabilidade; sinal de crescimento. Um estatuto e um direito (v. 25) são estabelecidos.

Quantas vezes, no caminhar de nossas comunidades e de nossas vidas, encontramo-nos com estas águas amargas. Ver tanta injustiça, lidar com tantas dores causadas por outrem, perder-se nos jogos da vida, acabam contaminando nossas águas. Até podemos perceber este essencial para o sentido da vida, mas está como que contaminado pela amargura. Aprender a lidar com isto é sinal de crescimento. A presença do SENHOR nos ajuda a romper com o amargor e recuperar a beleza do sentido. Mas, vencer barreiras nos leva a uma nova visão da vida. É preciso refazer-se, ou seja, deixar-se restaurar em nova visão de mundo.

No segundo relato, fechando a moldura das necessidades básicas para se manter a vida, encontramos o relato acontecido em Massa e Meriba. O lugar da provação: Massa significa "provação" e Meriba, "contestação". Mais uma vez a água falta. Agora o quadro é um pouco diferente: não se trata de água contaminada, mas sim, de falta de água mesmo. Tal situação no deserto só poderia levar o povo a um único lugar, a morte. A ação mostra a presença de Deus em meio ao aparente caos. Do nada, Deus faz surgir a água da vida.

Assim, voltamo-nos para os tempos de secura em nossas vidas. Há contextos, em nossas histórias pessoais e comunitárias, onde o essencial parece faltar. A água do sentido mais profundo parece faltar. Como disse certa vez o salmista, a pergunta "Onde está o teu Deus?" parece não calar. Contudo, Deus está sempre conosco. O relato termina com esta afirmação (v. 7). Mesmo quando a injustiça, o egoísmo, o autoritarismo e tantas outras posturas contrárias ao Reinado de Deus entre nós parecem imperar, a certeza é a de que Deus sempre caminha conosco. É nele que encontramos o verdadeiro caminho!


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: Amanhã tem mais...

Setembro: Mês da Bíblia I

Travessias: Passo a passo e o caminho se faz.

 

Chegamos ao mês de setembro. É tempo de, junto com a natureza, experimentar o gosto bom das novidades de Deus. Nós, Igreja no Brasil, dedicamos especialmente este mês à Bíblia, palavra de Deus para nós. Enquanto comunidade de fé em Cristo, voltamos nossa atenção para a maravilha de um Deus que quis se dizer no interior da história humana na alegria da convivialidade. Cristo, Palavra definitiva do Pai, é a chave de leitura desta história por ser o cume desta auto-comunicação de Deus. Neste ano de 2011, a CNBB propôs o texto de Ex 15,22-18,27 para a reflexão das comunidades e família em todo o Brasil. Como lema, foi escolhido: "Travessia: passo a passo o caminho se faz".

 

Vivendo a pedagogia de Deus no caminho da história.

 

O livro do Êxodo guarda um dos estratos mais antigos da experiência do povo com Deus: libertos do contexto de escravidão e morte sob o jugo do faraó no Egito, o povo caminha no deserto, guiado por Deus, rumo à terra prometida; lugar fundamental da liberdade e da vida. A experiência da libertação na Páscoa (passagem / travessia) é fundamental para a compreensão daquilo que é a pedra angular da fé de Israel: a Aliança. Que, por sua vez, é o chão-contexto onde se realizam os eventos pascais (Paixão, morte e Ressurreição) do Cristo.

Os anos vividos no deserto não foram fáceis. O povo teve que lidar com uma série de limitações e aí aprender a se encontrar com Deus. O povo de Deus não estava pronto quando saiu do Egito. Era preciso ainda crescer em muitas coisas. O deserto será, portanto, o lugar onde o povo também fará a experiência do Deus pedagogo, daquele que ensina os caminhos da Verdadeira Vida. Moisés será a batuta utilizada por Deus para reger a grande orquestra de seu povo. Bem ao modo do agir de Deus expresso pela bíblia, a mediação humana, com suas qualidades e falibilidades, será essencial para que o caminho se faça. A própria história de Moisés, relatada nos primeiros capítulos do Êxodo, será exemplo de uma trajetória pessoal guiada por Deus.

Uma ressalva se faz necessária aqui: a leitura deste livro não pode ser feita apenas como um conjunto de eventos passados. Muito se perderá se isto acontecer. O Êxodo é um "livro-exemplo" para nossos caminhos pessoais e comunitários. Cada vez que fazemos a experiência da travessia-passagem do contexto marcado pela morte para um de mais vida, repete-se em nós e em nossas comunidades aquilo que aconteceu com Israel.

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: A cada dia publicarei um pedaço do texto que escrevi para este mês a pedido de confrades.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Novidades: Mês da Bíblia

Amanhã começa, aqui no nosso site, a reflexão sequenciada do tema do Mês da Bíblia 2011. Aguardem!!!

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

XXV Domingo do Tempo Comum - ano A

1ª leitura: Is 55,6-9: A proximidade do Senhor chama constantemente à conversão. O profeta chama a atenção do povo para a conformação da vida ao agir de Deus. Sua misericórdia é o espaço para que a vida aconteça em plenitude. No caminho, acertar o passo, mudar a mentalidade/pensamentos, a fim de que nossos caminhos sejam também os de Deus...

 

2ª leitura: Fl 1,20c-24.27a: A frase de São Paulo "... para mim, o viver é Cristo..." resume muito bem a espiritualidade paulina expressa tantas outras vezes. Conformar os nossos caminhos de vida aos do Cristo, esse é o constante exercício de santificação do cristão.

 

Evangelho: Mt 20,1-16a: O pano de fundo deste texto é a Aliança de Deus com seu povo. Na boca dos trabalhadores que começaram cedo, a reclamação daqueles que viveram do judaísmo e que, por isso, achavam-se mais merecedores da graça de Deus que os demais. A justiça de Deus não segue, muitas vezes, os parâmetros humanos. Em seu Amor, Deus age com eqüidade: não há pessoas ou grupos mais ou menos merecedores.

 

Breve Reflexão: Um bom caminho só se faz se a possibilidade de mudar as rotas é possível. A cada momento, novos desafios são colocados à nossa frente e exigem, na maioria das vezes, novas respostas para que o essencial não se perca. Como cristãos, a referência de nossos caminhos é o Cristo. É nele que encontramos o sentido mais profundo de nossas vidas. É o horizonte para onde caminhamos: em Cristo, imersos definitivamente no seio da Trindade.

Isto ressoa profundamente na liturgia da Palavra de hoje. Começando pelo profeta, percebemos que a correção das rotas de faz necessária no processo de aprendizagem da vida em Deus. Aos poucos, na medida em que o caminho se faz, vamos descobrindo a alegria de estarmos na presença do Senhor e vivermos a novidade que nos vem dele. Para tanto, é preciso deixar o velho, aquilo que já não mais serve, para que a novidade de Deus em nós aconteça. A segunda leitura traz o cerne teológico deste pensamento: Cristo é o horizonte para onde caminhamos e a estrada por onde seguimos. No Filho, desde sempre predestinados a sermos filhos.

O evangelho traz a aplicação disto traduzido em parábola: enquanto pensamos em justiça como questão de mérito, Deus "pensa" em justiça como equidade. Em nossas cabeças, a figura da justiça é a balança e a espada, no modo de Deus, a alegria do grande banquete. Justiça, biblicamente, lembra muito mais "justeza"; a justeza do Amor de Deus que nos transforma.

Pense nisto! Deus nos conceda a graça constante da conversão!


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

sábado, 10 de setembro de 2011

XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano A

1ª leitura: Eclo 27,33-28,9: Situado no interior da literatura sapiencial bíblica, o livro do Eclesiástico reflete sobre uma imensidão de assuntos que tocam a vida cotidiana. Ensina-nos a ler com os olhos da fé a realidade na qual estamos inseridos. Isto é verdadeira espiritualidade! No trecho que hoje temos separado para a leitura em nossas comunidades, o tema principal é o do perdão. Somente aquele que faz a profunda experiência de ser perdoado, saberá dar o perdão. O perdão é aprendizado na e para a vida. Destaco o finalzinho de texto (v. 9) que termina com uma bela exortação recordando a Aliança. Deus, no exercício da Aliança, ensina-nos a verdadeira vida. É Deus do perdão e não do rancor e da ira. Os mandamentos, código ético, nos recordam esta verdade. Amados e perdoados por Deus de nossos erros no caminho, colocamo-nos na direção do amor e da fidelidade, manifestando a alegria de sermos um só povo sob Reinado de Deus.

 

2ª leitura: Rm 14,7-9: Neste trecho, um dos temas que formam a base da teologia paulina da carta aos Romanos: nossa unidade e referência a Cristo. Nossa vida transcorre no interior do amor de Deus manifesto em Jesus. Desde sempre, fomos queridos pelo Pai no Filho. Ele é nosso Senhor! Nosso caminho é o da "conformação" a ele.

 

Evangelho: Mt 18,21-35: Jesus ensina os discípulos sobre o perdão. Exercer a misericórdia não é questão de mensura. Perdoar enquanto for necessário, assim como nós fazemos a experiência de sermos acolhidos por Deus em seu Amor que perdoa. A parábola que se segue ao ensinamento de Jesus expressa muito bem isto. Antes de tudo, fomos amados pelo Pai. Ele nos quis, nos escolheu em seu amor para sermos presença dele na força do Espírito. Esta eleição, sem mérito algum nosso, nos ensina a cada vez mais nos humanizarmos e a sair em direção da humanidade. Deus primeiro nos amou e nos ensinou, com seu jeito, a amar, portanto, amemos. Não se trata de fechar os olhos para o erro, muito menos calar a força nossas feridas. O perdão é exercício do amor que dá ao outro sempre a chance de recomeçar...

 

Breve Reflexão: Meus queridos amigos, ando um tanto quanto assustado com algumas coisas que vejo por aí. Nossa sociedade, marcadamente influenciada por um sistema de acúmulo de capital, desenvolve suas relações num nível elevado de competição. Não há espaço para o fracasso, portanto, não há espaço para o aprendizado. Vai-se perdendo também, aos poucos, o espaço da gratuidade. Não se sabe mais receber sem pagar. Este contexto de relações acaba gestando um ser humano profundamente individualista, centrado em seus próprios desejos, dores e prazeres. Um engodo de auto-suficiência. Criou-se a cultura do "winner".

O que isto tem a ver com o tema da liturgia da Palavra de hoje? Acredito que muito, uma vez que, para perdoar, no interior da dinâmica de Deus, é preciso saber-se primeiro agraciado por um amor que nos ultrapassa e que não pediu nada em troca. Simplesmente nos amou e isto nos coloca em um caminho de profundo crescimento. Um caminho que supõe correção de rotas, uma vez que não se quer o amado se perca. Viver a experiência do perdão passa essencialmente por este lugar primeiro de ser amado gratuitamente.

Somos seres humanos, temos nossas dores e revoltas. Dói quando alguém nos maltrata e, logicamente, como toda ferida, é preciso cuidar. Sentir raiva é dor é profundamente humano, portanto, normal. O que não vale é ficar como "boi de moinho" girando em torno disto, viciado. O amor de Deus nos ensina a não fechar a porta. Todo ser humano pode mudar: o perdão é o reconhecimento disto. Já pensou se Deus tivesse desistido de nós? Fechar a porta do coração ao outro é admitir que o outro não tem mais jeito. Como gosto de dizer, esta história de que "galho que nasce torto não se endireita" pode dar certo para árvore, não para gente.

Deus nos conceda sempre mais a graça de reavaliar nossas histórias e caminhar juntos rumo à graça da Vida nele! Deus nos livre da mágoa. Brincando com a palavra, podemos dizer: "má-água". E água de ressentimento parada em nossas vidas não tem como produzir coisa boa...


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: Texto produzido para o site: www.provinciadorio.org.br

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

XXIV Domingo do Tempo Comum - Reflexão sobre a liturgia da Palavra dominical

1ª leitura: Eclo 27,33-28,9: Situado no interior da literatura sapiencial bíblica, o livro do Eclesiástico reflete sobre uma imensidão de assuntos que tocam a vida cotidiana. Ensina-nos a ler com os olhos da fé a realidade na qual estamos inseridos. Isto é verdadeira espiritualidade! No trecho que hoje temos separado para a leitura em nossas comunidades, o tema principal é o do perdão. Somente aquele que faz a profunda experiência de ser perdoado, saberá dar o perdão. O perdão é aprendizado na e para a vida. Destaco o finalzinho de texto (v. 9) que termina com uma bela exortação recordando a Aliança. Deus, no exercício da Aliança, ensina-nos a verdadeira vida. É Deus do perdão e não do rancor e da ira. Os mandamentos, código ético, nos recordam esta verdade. Amados e perdoados por Deus de nossos erros no caminho, colocamo-nos na direção do amor e da fidelidade, manifestando a alegria de sermos um só povo sob Reinado de Deus.

 

2ª leitura: Rm 14,7-9: Neste trecho, um dos temas que formam a base da teologia paulina da carta aos Romanos: nossa unidade e referência a Cristo. Nossa vida transcorre no interior do amor de Deus manifesto em Jesus. Desde sempre, fomos queridos pelo Pai no Filho. Ele é nosso Senhor! Nosso caminho é o da "conformação" a ele.

 

Evangelho: Mt 18,21-35: Jesus ensina os discípulos sobre o perdão. Exercer a misericórdia não é questão de mensura. Perdoar enquanto for necessário, assim como nós fazemos a experiência de sermos acolhidos por Deus em seu Amor que perdoa. A parábola que se segue ao ensinamento de Jesus expressa muito bem isto. Antes de tudo, fomos amados pelo Pai. Ele nos quis, nos escolheu em seu amor para sermos presença dele na força do Espírito. Esta eleição, sem mérito algum nosso, nos ensina a cada vez mais nos humanizarmos e a sair em direção da humanidade. Deus primeiro nos amou e nos ensinou, com seu jeito, a amar, portanto, amemos. Não se trata de fechar os olhos para o erro, muito menos calar a força nossas feridas. O perdão é exercício do amor que dá ao outro sempre a chance de recomeçar...

 

Breve Reflexão: Meus queridos amigos, ando um tanto quanto assustado com algumas coisas que vejo por aí. Nossa sociedade, marcadamente influenciada por um sistema de acúmulo de capital, desenvolve suas relações num nível elevado de competição. Não há espaço para o fracasso, portanto, não há espaço para o aprendizado. Vai-se perdendo também, aos poucos, o espaço da gratuidade. Não se sabe mais receber sem pagar. Este contexto de relações acaba gestando um ser humano profundamente individualista, centrado em seus próprios desejos, dores e prazeres. Um engodo de auto-suficiência. Criou-se a cultura do "winner".

O que isto tem a ver com o tema da liturgia da Palavra de hoje? Acredito que muito, uma vez que, para perdoar, no interior da dinâmica de Deus, é preciso saber-se primeiro agraciado por um amor que nos ultrapassa e que não pediu nada em troca. Simplesmente nos amou e isto nos coloca em um caminho de profundo crescimento. Um caminho que supõe correção de rotas, uma vez que não se quer o amado se perca. Viver a experiência do perdão passa essencialmente por este lugar primeiro de ser amado gratuitamente.

Somos seres humanos, temos nossas dores e revoltas. Dói quando alguém nos maltrata e, logicamente, como toda ferida, é preciso cuidar. Sentir raiva é dor é profundamente humano, portanto, normal. O que não vale é ficar como "boi de moinho" girando em torno disto, viciado. O amor de Deus nos ensina a não fechar a porta. Todo ser humano pode mudar: o perdão é o reconhecimento disto. Já pensou se Deus tivesse desistido de nós? Fechar a porta do coração ao outro é admitir que o outro não tem mais jeito. Como gosto de dizer, esta história de que "galho que nasce torto não se endireita" pode dar certo para árvore, não para gente.

Deus nos conceda sempre mais a graça de reavaliar nossas histórias e caminhar juntos rumo à graça da Vida nele! Deus nos livre da mágoa. Brincando com a palavra, podemos dizer: "má-água". E água de ressentimento parada em nossas vidas não tem como produzir coisa boa...


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Republicando: A menina, Deus e o cheiro...

Há alguns dias que a vida vem me reservando alguns presentes. Um em especial me fez escrever estas poucas linhas. A dinamicidade do baú da história me proporcionou reencontrar um casal amigo, que há tempos não via. Eles cresceram desde a juventude. Frutificaram: duas garotas lindas. A mais velha se chama "pura" e a mais nova "presente de Deus". No "dia do Senhor", pude me encontrar com mais calma com eles.

A menina (mesmo que o tempo tenha passado, para mim será sempre "menina", afinal, este é o significado de seu nome), casada com o amigo que foi companheiro de muitos passos, contou-me uma experiência que teve há alguns dias: experimentou reconhecer as pessoas queridas nos cheiros. Não o cheiro das pessoas, mas as pessoas nos cheiros. Uma pena que o tempo era curto e não pudemos conversar mais. Engraçado, lembrei-me na hora de um romance lido há muito tempo: O Cheiro de Deus, Roberto Drummond. Neste livro, a matriarca, cega, passou a vida buscando sentir o cheiro de Deus que, ao final, brotava do amor dos encontros daqueles que se querem bem.

No outro dia, bem cedo, viajei. Curti um dia de descanso. Na viagem de volta, resolvi abrir a janela do carro para deixar os cheiros entrarem. De repente, minha viagem deixou de ser solitária, pois, com o carro invadido por diversos cheiros, senti a presença afetiva de tantos que amo. Apurando o olfato, deixei que, a cada cheiro, viesse a lembrança de alguém. Foi uma experiência realmente única. A menina não estava enganada.

Depois de algumas horas, visitando na memória a cada pessoa, acho que senti o cheiro de Deus. Não se trata de um cheiro único e específico, mas ele se fazia presente em cada um que excitava meu nariz. Conclui que o cheiro de Deus é o da graça que habita o mundo. Faça esta experiência: sinta, perceba, alargue seus horizontes...


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: Este texto foi publicado pela primeira vez no dia 29/12/2009 neste blog. Gosto muito dele e por isso decidi republicá-lo. Acho que vou fazer isso de vez em quando. Já tenho nos arquivos algumas coisas que gostaria de partilhar novamente com vocês.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sobre pessoas-símbolo...

Bichos complexos somos nós, seres humanos. Vivemos imersos em um universo de sentido composto por uma gama simbólica profunda. Nossa memória não é apenas mental-intelectual. Um filósofo, Merleau-Ponty, a quem me afeiçoei muito nos tempos de estudo, trabalhou muito em sua vasta obra o conceito de "corpo-próprio". No interior deste esforço, percebeu que nosso ser é como uma caixa de ressonância. Nossa memória se derrama em uma pluralidade de sentidos, sensações e sentimentos que tomam conta do todo que somos, não apenas do intelecto. Nosso ser ressoa lembranças...

No livro "À la recherche du temps perdu", a personagem alter-ego de Marcel Proust, ao provar um biscoito "madeleine", sente-se invadido por um turbilhão de lembranças que o tomam para elevá-lo a um espaço de significações que vinham de momentos passados. Não apenas seu intelecto, mas toda a memória que ele é. A chave deste mundo de significados não se resume apenas a objetos ou comidas, mas também existem "pessoas-símbolo[1]". Pessoas que ressoam em nós pela simples presença, fala ou jeito de ser, a memória daquilo somos.

Graças a Deus, tenho tido olhos para perceber as experiências que tenho com pessoas deste tipo; "aquelas que são para se guardar debaixo de sete chaves, no fundo do coração" e acabaram por motivar a música do Milton. Apenas como exemplo, encontrei-me com uma amiga que, mesmo com o pouco tempo de conhecimento que temos, vai se tornando em minha vida uma pessoa-símbolo. Pelo que é, faz recordar em mim uma série de significados belos e bonitos da vida que, pela dureza do cotidiano, acabam sendo esquecidas em algum lugar menos endurecido do coração.

Isto me faz lembrar que, para além das relações-funcionais existe um mundo belo e vasto, repleto de significados de vida. Com sua vivência de fé e simplicidade, esta amiga me faz lembrar do Deus único e verdadeiro com quem me encontrei a tempos atrás e que, ao longo destes anos como religioso e padre, fui aprendendo novos vocábulos e gramática com que dizê-lo. Pessoas assim me ensinam a ser mais "poroso".

Agradeço a Deus a cada dia por pessoas assim existirem em minha vida. Deus as guarde em seu amor! E que você, amigo que graciosamente perde um pouco de seu tempo em ler esta página, possa ter a graça de também percebê-las em sua vida...


[1] A partir de sua etimologia, sabemos que "símbolo" é algo que "lança junto", em um significante, toda uma complexa cadeia de significados.


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tempo de Travessias...

"Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
que já tem a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos"

Fernando Pessoa

Lendo um livro do grande literato português Fernando Pessoa, deparei-me com este belo texto que se encontra acima, abrindo esta pequena partilha. Profundamente inspirador, principalmente para o tempo em que vivemos: é primavera!!! Aos poucos, a natureza começa a nos falar de renovação. A beleza de um ipê que se despe das folhas cansadas para explodir renovado em cores e flores nos fala da dinâmica mais profunda da vida. É preciso, aos poucos, deixar aquilo que já não produz vida em nós. Como nos diz Paulo, deixar o homem velho e abrir-se para a novidade do homem novo em Cristo Jesus. Se o ipê não deixasse as folhas caírem, não viriam as flores.

Não se trata de tarefa fácil. Deixar a suposta "segurança" daquilo que já pensamos ter e se arriscar em novos caminhos é, por vezes, dolorido. Mas, se isto não acontece, o peso de nossas "folhas velhas" se torna paralisante. Novas posturas, novas firmezas seguindo no alegre caminho pedagógico do Cristo, deixando que em nós se manifeste a beleza dos Filhos de Deus. Lembre-se que até o seu corpo diz disso: para tornar-se adulto, você precisou deixar o corpo de criança...

Este processo não abrange apenas coisas do presente, mas também, coisas que aconteceram em nossas vidas e que, por um motivo ou outro, preferimos escondê-las em algum canto de nós mesmos. Vivências mal assimiladas acabam deixando a gente meio torto pela vida. Aliás, muitas coisas que insistimos em carregar como posturas envelhecidas encontram suas raízes nestes "traumas". É preciso nos compreender como uma casa. Temos nossos porão e sótão. Lugares onde colocamos estas coisas que nos incomodam. Se não mexemos lá, eles acabam se tornando lugares geradores de bactérias nocivas para nós mesmos.

Tratar deste assunto em poucas linhas é coisa muito difícil. Aliás, é loucura mesmo (kkkk)! Mas não deixe que as águas fiquem paradas em sua vida. Cresça sempre mais, torne-se a cada dia mais humano, humanizado. Este é o sonho de Deus para humanidade. A encarnação nos diz isto!


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sol de primavera...

Setembro chegou e junto com ele a beleza da explosão de vida nas flores da primavera. Floresçamos como gente!!!! Esta é minha prece e meu desejo para cada um de nós...
A música é composição de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. A interpretação é da banda Catedral.